sábado, 17 de agosto de 2013

A maldição de Adão


Foi publicado, em língua inglesa, um livro com o título “Adam’s Curse” ou a maldição de Adão. O argumento do autor, Brian Sykes professor de genética em Oxford, é muito simples: o homem (macho) é um ser condenado à extinção. No futuro o cromossoma Y irá desaparecer do código genético e no mundo haverá … glups! … só mulheres! Nem mais. Segundo o autor o objectivo da reprodução (que é essencialmente cruzar cromossomas) far-se-á através da fusão dos óvulos de duas mulheres. Provas? Por exemplo, a diminuição da fertilidade masculina entre outras citadas no livro.
Disparate grosseiro? Aberração? Maluquices de cientistas de género sexual duvidoso? Antes de continuar a minha argumentação quero pôr-me a salvo e esclarecer que : 1) NÃO sou homossexual e 2) não subscrevo a tese do autor. Dito isto, acho que o argumento merece uma reflexão atenta livre de preconceitos que tão facilmente minam qualquer diálogo saudável neste campo, sobretudo em países latinos como o nosso.

Primeira questão existencial. Para além da reprodução para que servem afinal os homens? A mesma questão pode ser posta ao contrário, para que servem as mulheres, mas neste caso a resposta, em termo biológicos, é óbvia: conceber as crianças da geração seguinte. Segundo as mulheres mais radicais, a resposta à primeira pergunta é, servem só para chatear a molécula. Para mostrar como esta pergunta faz sentido atente-se a quantas mulheres vivem hoje sozinhas, quantas nem sequer se casam, como nos países nórdicos onde 60% dos bebés nascem de mães solteiras, a maioria das quais ira continuar solteira para o resto da vida. Porquê? Terá o homem perdido as suas virtudes ou estarão elas mais exigentes? Ou, no fundo, não precisam mesmo de nós homens para nada.

Na verdade, se olharmos para as revistas cor-de-rosa, a secção sentimental apresenta um cenário desolador para o homem. As queixas das leitoras batem sempre nas mesmas teclas: falta de atenção, de companheirismo, de carinho, de saber ouvir, etc. Será que elas não se dão conta que o homem não é capaz dessas coisas? Para esses atributos as mulheres são muito melhores que os homens. Não será então que o elas querem não é um homem, mas antes uma mulher com barba rija, voz grossa … e um apêndice?

Então em que é que os homens são bons afinal? A resposta é, mais uma vez, pouco abonatória para nós. O homem é claramente mais agressivo, belicista, individualista e menos tolerante que as mulheres. Quanta violência, guerras, disputas não foram e são iniciadas pela agressividade masculina? Além disso o macho é mais desarrumado, tem mais vícios, é menos voluntarioso. A questão que se deve por então é, como é que há mulheres que, com a sua infinita paciência, estão ainda para nos aturar?

E, caro leitor(a) se é verdade que a maioria das mulheres ainda precisa de homens para certos momentos, isso talvez seja devido a uma relíquia do seu código genético que ainda não sofreu a mutação necessária para se livrar, de uma vez por todas, deste empecilho evolutivo chamado homem. Da mesma forma se é verdade que as mulheres podem criar entre si fortes invejas e intrigas, isso talvez seja também por existirem homens que elas se esforçam por agradar ou conquistar.

E não ficamos por aqui em matéria de desvantagens. À medida que a sociedade se vai tornando cada vez mais mecanizada e automatizada, a mão de obra requer cada vez menos atributos masculinos (como força e destreza) e mais femininos, como organização, gestão e comunicação. Por outro lado, o trabalho do século XXI é feito em equipa e não individual. E quem é melhor a trabalhar em equipa: as mulheres.

Enfim, mesmo sem ler este livro, temos de reconhecer que, nós homens, estamos em maus lençóis. Teremos os dias contados como profecia o autor? Depois de séculos de subjugação, será que o futuro pertence às mulheres? Vale a pena pensar nisto, mas não é preciso desesperar caro leitor, pois ainda nos restam muitas gerações até a natureza completar a sua inexorável missão. Mas não percam tempo a desfrutar deste período de graça enquanto elas vão tendo pachorra para nos aturar.

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